Mercado imobiliário hoje: tendências para ativos logísticos e corporativos

Mercado imobiliário hoje representado por edifícios corporativos modernos com gráfico de crescimento sobreposto, simbolizando a valorização de ativos imobiliários.

O mercado imobiliário hoje apresenta cenários distintos entre seus diversos segmentos. Enquanto algumas áreas enfrentam desafios relacionados ao aumento da oferta e à maior seletividade da demanda, outras registram indicadores de crescimento e aquecimento, especialmente os ativos logísticos e os imóveis corporativos de alto padrão.

Nos últimos anos, mudanças no comportamento das empresas, o crescimento do e-commerce, a reorganização das cadeias de suprimentos e a busca por edifícios mais eficientes transformaram a forma como incorporadoras, investidores e desenvolvedores imobiliários analisam oportunidades.

Neste artigo, você conhecerá os principais indicadores do mercado imobiliário atual, entenderá os fatores que impulsionam a demanda por ativos logísticos e corporativos, identificará onde estão as oportunidades e verá quais aspectos incorporadoras e construtoras devem considerar para desenvolver projetos mais alinhados ao cenário do setor.

Mercado imobiliário hoje: o que mostram os dados?

O mercado imobiliário hoje apresenta um cenário favorável para ativos logísticos e uma recuperação gradual dos imóveis corporativos de alto padrão.

A demanda continua concentrada em localizações estratégicas, enquanto a redução das taxas de vacância e o aumento da absorção líquida indicam um mercado mais seletivo, com valorização dos empreendimentos que oferecem qualidade, eficiência e boa localização.

Os dados mais recentes reforçam que o mercado imobiliário brasileiro não evolui de maneira homogênea. Em vez de um crescimento uniforme, diferentes segmentos apresentam comportamentos distintos, exigindo análises específicas para cada tipo de ativo.

No segmento logístico, a demanda permanece elevada e continua superando a oferta em diversas regiões. Segundo a CBRE, São Paulo encerrou 2025 com taxa de vacância de 7,8%, o menor patamar registrado nos últimos 15 anos. No mesmo período, a absorção bruta alcançou 2,8 milhões de metros quadrados, volume 17% superior ao observado em 2024, refletindo a força das operações de logística, varejo e comércio eletrônico.

A pressão sobre a ocupação também influenciou os preços de locação. De acordo com a CBRE, empreendimentos logísticos em localizações primárias passaram a registrar pedidos de aluguel de até R$ 50 por metro quadrado, movimento impulsionado pela baixa disponibilidade de espaços de padrão elevado.

A Colliers identifica tendência semelhante. No primeiro trimestre de 2025, os condomínios logísticos de alto padrão registraram taxa de vacância de 8,1%, o menor índice desde 2016. Durante o período, a demanda por áreas foi aproximadamente duas vezes superior ao volume de novas entregas, indicando um equilíbrio favorável entre oferta e procura.

Nos imóveis corporativos, o cenário também apresenta sinais positivos, embora de forma mais seletiva.

Segundo a CBRE, o mercado de escritórios em São Paulo encerrou 2025 com vacância geral de 16,7%, enquanto os edifícios classificados como Triple A, empreendimentos de alto padrão técnico e construtivo, registraram vacância de apenas 11,5%. No quarto trimestre, a absorção líquida atingiu 88 mil metros quadrados, crescimento de 284% em relação ao trimestre anterior.

Esses números mostram que o interesse dos ocupantes está cada vez mais direcionado a ativos modernos, eficientes e bem localizados, fenômeno conhecido internacionalmente como flight to quality, ou “movimento em direção à qualidade”.

Outro aspecto relevante é a expansão da atividade para além de São Paulo.

Em Minas Gerais, a absorção líquida de galpões logísticos ultrapassou 500 mil metros quadrados em 2025, mais que dobrando o desempenho do ano anterior. Já no Rio de Janeiro, a absorção líquida superou em 40% o volume de novas entregas, indicando uma demanda consistente mesmo diante da limitação de novos estoques.

Quando analisados em conjunto, esses indicadores sugerem que o mercado imobiliário hoje permanece favorável para ativos capazes de atender às novas exigências operacionais dos ocupantes, especialmente aqueles localizados em corredores logísticos consolidados ou em regiões corporativas de maior qualidade.

O que está impulsionando a demanda?

O mercado imobiliário hoje é impulsionado por mudanças estruturais na economia e na forma como empresas organizam suas operações. O crescimento do comércio eletrônico, a expansão da logística, a reorganização das cadeias produtivas e a busca por escritórios mais eficientes continuam sustentando a demanda por ativos logísticos e corporativos de alto padrão.

Ao contrário de ciclos anteriores, a atual expansão não depende apenas do crescimento econômico.

Ela também reflete transformações permanentes na maneira como empresas produzem, armazenam, distribuem mercadorias e utilizam seus espaços corporativos.

Entre os principais fatores que explicam esse movimento estão:

  • crescimento contínuo do e-commerce;
  • expansão das operações logísticas;
  • necessidade de entregas cada vez mais rápidas;
  • regionalização das cadeias de suprimentos (nearshoring);
  • retomada parcial das atividades presenciais;
  • modernização dos ambientes corporativos;
  • busca por imóveis mais eficientes do ponto de vista operacional e ambiental.

Reorganização das cadeias produtivas

Outro fator importante é a reorganização das cadeias globais de suprimentos.

Empresas passaram a aproximar centros de distribuição e fornecedores dos mercados consumidores para reduzir riscos operacionais, melhorar prazos de entrega e aumentar a resiliência das operações.

Esse movimento, conhecido como nearshoring, fortalece a procura por ativos logísticos estrategicamente localizados e pode ampliar a relevância de mercados regionais com boa infraestrutura logística.

Retorno parcial aos escritórios

Embora o trabalho híbrido permaneça presente em muitas organizações, o segmento corporativo voltou a registrar sinais consistentes de recuperação.

Em vez de simplesmente ampliar áreas ocupadas, muitas empresas passaram a priorizar edifícios mais modernos, eficientes e bem localizados.

Esse comportamento explica por que os imóveis Triple A apresentam desempenho superior ao restante do mercado, reforçando a importância da qualidade construtiva e da experiência oferecida aos ocupantes.

Por que os ativos logísticos continuam em alta?

Os ativos logísticos continuam entre os segmentos mais aquecidos do mercado imobiliário hoje porque combinam demanda consistente, baixa vacância e mudanças estruturais na economia. A expansão do comércio eletrônico, a necessidade de entregas mais rápidas e a reorganização das cadeias de suprimentos mantêm elevada a procura por galpões modernos e estrategicamente localizados.

Ao contrário de movimentos conjunturais, parte da demanda atual decorre de transformações permanentes na forma como empresas produzem, armazenam e distribuem mercadorias.

Hoje, localização, eficiência operacional e capacidade de adaptação são fatores tão relevantes quanto o tamanho do imóvel.

Segundo a CBRE, as empresas de e-commerce responderam por 53% das 100 maiores operações de locação logística realizadas no Brasil no primeiro semestre de 2025, evidenciando o peso desse segmento na ocupação dos galpões logísticos. Além disso, operadores logísticos terceirizados (3PLs) representaram outros 27% das maiores transações.

Outro fator importante é a busca por empreendimentos de padrão elevado.

Galpões classificados como Classe A oferecem características que passaram a ser essenciais para operações modernas, como:

  • pé-direito elevado;
  • maior capacidade de armazenagem;
  • docas para carga e descarga;
  • pisos com alta resistência;
  • eficiência energética;
  • localização próxima aos principais corredores logísticos.

Esse conjunto de atributos tende a reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência da distribuição, tornando esses ativos mais competitivos.

Onde estão as oportunidades no mercado imobiliário hoje?

As oportunidades do mercado imobiliário hoje concentram-se principalmente em regiões onde a demanda permanece consistente e a oferta de ativos de qualidade continua limitada. Corredores logísticos estratégicos, mercados regionais em expansão e edifícios corporativos de alto padrão são alguns dos segmentos que seguem despertando interesse de incorporadoras, investidores e ocupantes.

Mais do que identificar regiões aquecidas, é importante compreender por que determinados mercados apresentam desempenho superior.

Corredores logísticos consolidados

São Paulo continua sendo o principal polo logístico do país.

Corredores como:

  • Cajamar;
  • Guarulhos;
  • Jundiaí;
  • Campinas;
  • Embu das Artes;

concentram parte significativa das operações por oferecerem acesso facilitado às principais rodovias, proximidade com grandes centros consumidores e infraestrutura consolidada.

Mercados regionais em expansão

Embora São Paulo permaneça como referência nacional, outros estados vêm ganhando relevância.

Entre eles destacam-se:

  • Goiânia;
  • Minas Gerais;
  • Rio de Janeiro;
  • Santa Catarina;
  • Espírito Santo;
  • Pernambuco;
  • Ceará.

Goiânia, por exemplo, vem se consolidando como um mercado regional em expansão. Segundo dados da Ademi-GO, as vendas de imóveis cresceram 47% no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram comercializadas 2.592 unidades, volume superior aos 2.525 lançamentos registrados no período, o que contribuiu para a redução do estoque disponível e reforça o aquecimento da demanda na capital goiana.

Escritórios premium

No segmento corporativo, a maior parte da demanda concentra-se em edifícios de padrão elevado.

Esses empreendimentos oferecem diferenciais como:

  • maior eficiência energética;
  • plantas flexíveis;
  • infraestrutura tecnológica;
  • certificações ambientais;
  • localização estratégica;
  • facilidade de acesso.

Retrofit como alternativa

Nem todas as oportunidades estão relacionadas ao desenvolvimento de novos empreendimentos.

Em diversas regiões consolidadas, o retrofit (processo de modernização de imóveis existentes) vem ganhando espaço.

Em vez de construir um edifício totalmente novo, o retrofit busca atualizar instalações, sistemas, eficiência energética e layout de ativos existentes, permitindo que eles atendam às exigências atuais dos ocupantes.

Dependendo da localização e das características do imóvel, essa estratégia pode representar uma alternativa economicamente interessante para reposicionar ativos já consolidados.

O que incorporadoras precisam considerar?

O mercado imobiliário hoje exige decisões cada vez mais fundamentadas em dados. Antes de lançar um empreendimento, incorporadoras precisam compreender a demanda real, analisar a concorrência, avaliar a dinâmica regional e desenvolver produtos alinhados às necessidades dos futuros ocupantes.

Indicadores positivos, como baixa vacância ou aumento da absorção líquida, não significam automaticamente que qualquer projeto terá sucesso.

É necessário avaliar diferentes variáveis antes do desenvolvimento.

Entre os principais fatores estão:

Localização

A localização continua sendo um dos fatores mais determinantes para o desempenho de ativos imobiliários.

No segmento logístico, proximidade de rodovias, aeroportos, portos e grandes centros consumidores costuma influenciar diretamente a atratividade do empreendimento.

Já nos imóveis corporativos, aspectos como mobilidade urbana, oferta de serviços e infraestrutura da região podem impactar significativamente a demanda.

Vocação do terreno

Nem todo terreno possui vocação para qualquer tipo de empreendimento.

Questões como:

  • acessibilidade;
  • legislação urbanística;
  • infraestrutura existente;
  • perfil econômico da região;
  • disponibilidade de mão de obra;

precisam ser avaliadas antes da definição do produto.

Absorção líquida e vacância

Dois dos principais indicadores acompanhados pelo mercado são:

  • absorção líquida: diferença entre a área efetivamente ocupada e a área devolvida durante determinado período;
  • vacância: percentual do estoque disponível para locação.

Esses indicadores ajudam a compreender o equilíbrio entre oferta e demanda e fornecem sinais importantes sobre o momento do mercado.

Especificações técnicas

Os ocupantes passaram a exigir imóveis cada vez mais eficientes.

Nos galpões logísticos, características como pé-direito elevado, maior capacidade de carga, número de docas e eficiência operacional fazem diferença.

Nos escritórios, ganham relevância fatores como flexibilidade das plantas, sustentabilidade, conectividade e conforto dos usuários.

ESG e eficiência

Critérios ambientais, sociais e de governança também passaram a influenciar decisões imobiliárias.

Empresas buscam ativos que reduzam consumo de energia, utilizem recursos de forma mais eficiente e contribuam para suas metas de sustentabilidade.

Essa tendência tende a influenciar tanto novos empreendimentos quanto projetos de retrofit.

Pipeline imobiliário

Outro aspecto importante é acompanhar o pipeline imobiliário, ou seja, o conjunto de empreendimentos em desenvolvimento ou previstos para entrega.

Mesmo mercados com baixa vacância podem sofrer mudanças caso exista um volume significativo de novos projetos em construção.

Por isso, analisar apenas os indicadores atuais pode não ser suficiente.

Uma avaliação consistente também considera o comportamento esperado da oferta nos próximos anos.

Qual é o papel do Real Estate Advisory?

No mercado imobiliário, tomar decisões apenas com base em percepção ou no desempenho recente de um segmento pode aumentar os riscos do desenvolvimento imobiliário. O Real Estate Advisory reúne inteligência de mercado, estudos de viabilidade e análises estratégicas para apoiar incorporadoras, investidores e proprietários na definição de projetos alinhados à demanda, às tendências e às características de cada região.

Em um cenário no qual diferentes mercados apresentam comportamentos distintos, compreender indicadores como vacância, absorção líquida, novas entregas e pipeline imobiliário tornou-se parte essencial do processo de tomada de decisão.

Mais do que avaliar um terreno ou um empreendimento isoladamente, uma assessoria especializada busca responder perguntas como:

  • Existe demanda suficiente para esse tipo de ativo?
  • A localização possui vocação para o produto pretendido?
  • Como está o comportamento da concorrência?
  • Há excesso de oferta previsto para os próximos anos?
  • O projeto deve ser desenvolvido de forma especulativa ou sob demanda?
  • Existe oportunidade de retrofit em vez de uma nova incorporação?

Para responder a essas questões, o trabalho de Real Estate Advisory normalmente envolve diferentes frentes de análise.

Inteligência imobiliária

A inteligência imobiliária reúne informações sobre oferta, demanda, preços, vacância, absorção líquida, comportamento dos ocupantes e tendências econômicas.

Esses dados ajudam a compreender o posicionamento do mercado e identificar oportunidades antes do lançamento de novos empreendimentos.

Estudos de mercado

Os estudos de mercado avaliam a dinâmica de uma determinada região, considerando fatores como perfil dos ocupantes, infraestrutura, mobilidade, concorrência e perspectivas de crescimento.

Essa etapa reduz a dependência de decisões baseadas apenas em percepção ou experiências anteriores.

Estudos de viabilidade

Nem toda oportunidade de mercado resulta em um empreendimento economicamente viável.

Os estudos de viabilidade analisam aspectos como:

  • custo do terreno;
  • investimento necessário;
  • potencial de locação ou venda;
  • velocidade de absorção;
  • retorno esperado;
  • riscos envolvidos.

O objetivo é verificar se o projeto possui fundamentos econômicos compatíveis com a realidade do mercado.

Valuation

O valuation corresponde ao processo de avaliação econômica de um ativo imobiliário.

Essa análise considera características físicas, localização, geração de receita, potencial de valorização e condições do mercado para estimar seu valor.

Além de apoiar decisões de investimento, o valuation pode contribuir para negociações, financiamentos, operações societárias e planejamento patrimonial.

Definição do produto

Uma mesma região pode comportar diferentes tipos de empreendimentos.

Por isso, definir corretamente o produto, como galpão logístico, laje corporativa, empreendimento built to suit (BTS) ou retrofit, é uma das etapas mais relevantes do desenvolvimento imobiliário.

A aderência entre produto e demanda costuma exercer influência direta sobre a velocidade de comercialização e ocupação do ativo.

Estratégia de desenvolvimento

A definição do momento adequado para lançar um empreendimento também faz parte da estratégia.

Mercados com baixa vacância podem parecer atrativos, mas um pipeline elevado de novas entregas pode alterar rapidamente a dinâmica entre oferta e demanda.

Da mesma forma, projetos de retrofit podem representar oportunidades interessantes em regiões consolidadas, onde a disponibilidade de terrenos é limitada.

É importante destacar que cada empreendimento possui características próprias relacionadas à localização, ao perfil do público, às condições econômicas e ao momento do mercado. Por isso, decisões de investimento e desenvolvimento imobiliário devem ser precedidas por estudos específicos para cada projeto.

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